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Missão da associação: Para desenvolver sustentadamente o mercado de "call e contact centers" em Portugal

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Que Prestígio para o Comunicador de Contact Center?

Eu ouvi, ou contaram-me, que quando perguntaram ao humorista pelo seu percurso profissional, ele ripostou de forma sarcástica (para ter graça):

– Uma oportunidade que me surgiu... Depois de uma passagem pelo maravilhoso mundo do Telemarketing.

Com anedotas, vídeos, entrevistas e gravações reais ou forjadas, os Call Centers e Contact Centers tornaram-se em novo pasto para gargalhar, publicar e indignar a enorme plateia que somos todos nós.

O processo é o habitual – a estereotipagem a partir de um qualquer episódio real ou ideias pré-concebidas que é cimentada na consciência colectiva. Uma vez criado o estereótipo, torna-se fácil comentar, gracejar ou agredir com sarcasmo mais ou menos cruel – afinal o estereótipo é concebido justamente com os ingredientes necessários para isso.

Se olharmos 40 ou 50 anos para trás, podemos perceber que as mais variadas profissões sofreram este processo de erosão. Os jornalistas, os políticos, os médicos, os juízes, os pilotos de avião, os bombeiros, os advogados... todas aquelas profissões que nós desejávamos vir a ter quando éramos pequenos – foram apoucadas em algum período destas últimas décadas para não voltarem a recuperar o prestígio que haviam tido anteriormente. Com a voracidade própria dos nossos tempos, consumimos capital de prestígio e em troca recebemos diversão. Pelo caminho vamos substituindo o imaginário que tínhamos destas profissões por estereótipos deprimentes. Ficamos todos mais pobres: os profissionais perdem auto-estima e tornam-se piores profissionais, os restantes perdem confiança e deixam de tirar o melhor partido deles.

Na APCC tentamos fazer o mesmo que organizações ligadas a outros sectores de actividade. Divulgamos a riqueza multi-dimensional da nossa actividade e combatemos a estereotipagem e os seus habituais companheiros: o julgamento fácil e a crueldade do sarcasmo.

Os profissionais de Call Center e Contact Center vivem intensamente esta indústria e sabem a importância que ela tem na sociedade e na economia. A disponibilização de serviços telefónicos através de Call Centers e Contact Centers por muitas empresas privadas e serviços da Administração Pública, tem vindo a permitir alcançar ganhos de produtividade que estimamos em cerca de 228 milhões de horas de trabalho por ano. Horas que de outra forma teriam que ser dispendidas em deslocações e espera em balcões de atendimento – Um contributo potencial de cerca de 937 milhões de euros de produção por ano para o PIB.

Somos mais de 450 Contact Centers em Portugal e mais de 20,000 posições de teleoperação. Em termos da participação directa para o PIB, as actividades de Contact Center que desenvolvemos deverão contribuir com um valor de cerca de mil e trezentos milhões de euros por ano, ou seja, cerca de 1% do PIB.

Os mais variados serviços estão hoje disponíveis 24 horas por dia e acessíveis em 100% do território nacional, desde a comunicação de leituras nas utilities, informações de facturação nas telecomunicações, operações financeiras na banca, informações e operações mais variadas na Administração Pública, entre miríades de outros. Os Contact Centers criaram um grau de proximidade com as empresas e serviços do Estado absolutamente inimagináveis há pouco mais de 15 anos.

Por outro lado, na generalidade dos países, e também em Portugal, as actividades de emissão de chamadas para efeitos de telemarketing tiveram um papel fundamental na entrada de novos fornecedores em mercados tradicionalmente fechados. Foi o que aconteceu em sectores como o das telecomunicações e o das utilities, em que os clientes dos incumbentes são normalmente muito conservadores e avessos à mudança. O telemarketing, ao possibilitar o estabelecimento de uma relação personalizada e de confiança, e ao permitir a explicação detalhada dos novos produtos e serviços, torna efectivamente possível a entrada de novos players nestes mercados, revelando-se um instrumento fundamental para a concorrência nestes sectores  – indispensável em termos da produtividade e da competitividade nacionais.

Adicionalmente, Portugal apresenta no sector dos Contact Centers várias vantagens competitivas face a outros países europeus, nomeadamente em relação aos pertencentes ao espaço do Euro. Apresentamos um bom domínio em vários idiomas estrangeiros, um forte know-how tecnológico, somos muito competitivos do ponto de vista de custo e somos um exemplo em termos de paz social. Temos pois todas as condições para aumentar muito os serviços que já prestamos para outros países europeus em regime de nearshore.

Num País angustiado com o desemprego como Portugal, os Contact Centers oferecem já mais de 1% da totalidade dos empregos disponíveis. Mas mais do que emprego, orgulhamo-nos de gerar empregabilidade. Os Contact Centers funcionam como verdadeiras escolas profissionais, integrando jovens em projectos onde ganham algumas das valências mais importantes para uma carreira de sucesso neste ou em qualquer outro sector: sucesso no relacionamento directo com o cliente e desenvolvimento de aptidões comerciais; integração em equipas e a possibilidade de liderarem grupos de trabalho de dimensão média numa fase ainda inicial da sua carreira profissional; e a utilização de meios informáticos em ambiente profissional. Que outro sector permite que um ainda jovem estudante desenvolva a sua capacidade de liderança em actividades onde os factores críticos de sucesso são o serviço ao cliente e a genialidade comercial? Uma nova geração de talentos para as mais variadas indústrias está hoje a ser formada nos nossos Contact Centers e isso é motivo de orgulho para todo o sector. Em linguagem económica, são externalidades positivas com que o sector beneficia toda a sociedade através da sua actividade normal.

Por tudo isto e muito mais, o sector dos Contact Centers merece ser apoiado. Ou pelo menos acarinhado. Os bons profissionais de Contact Center são empenhados como em qualquer outra profissão e ambicionam o reconhecimento social devido. Não podemos ficar satisfeitos por os Contact Centers estarem a passar por um processo de erosão que é apenas idêntico ao sofrido por outras actividades. Temos de alimentar o prestígio dos comunicadores de Contact Center: Afinal a sua motivação, alegria e realização depende disso e muito.

 

João António Cardoso

Presidente da Associação Portuguesa de Contact Centers

 

 

 

 

 

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